quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA - JOSÉ SARAMAGO.

           Diante dos olhos desse incrível homem eu afirmo, senhoras e senhores, o ser humano é cego! Preciso que vocês se preparem afinal esse texto fugirá de tudo o que o homem pensa sobre sua realidade.
           

           E em um recinto formado por cegos, cegos estes diferentes, não viam o escuro, não enxergavam o preto, o vulto, a imagem que chegava rapidamente à suas retinas era o branco, era o claro, era a nuvem, apenas um entre eles tinha o dom da ''visão'', ela via tudo, porém ninguém sabia, ela era sábia, observava calada, tinha medo da repreensão dos comuns. O lugar rodeado de cegos, de seres ontem mesmo normais, começou a assustar a pobre moça, que os via pelados, feito animais em uma selva, ela podia nomear quem era o rei, o leão, quem eram os macacos, os porcos, as aves, enfim, eram bichos, gritavam por comida, se misturavam de modo a ficarem machos com machos, fêmeas com machos, fêmeas com fêmeas, a sala fedia, fedia cocô, aquele cheiro forte, cheirava o verdadeiro mijo, os homens eretos, despidos, verdadeiros primatas irracionais, desejavam sexo, não existia limite, a moça não reconhecia sua espécie, seu marido estava naquela sala, e ela nunca o conheceu tão bem. Que horror, a mulher começou a ter nojo de seus semelhantes, ela estava entendendo o homem e sua maneira de portar em um espaço onde não existia visão, ela percebeu então, que a realidade ''normal'' de ontem se comporta como fantoche, como mentira, pessoas engomadas não são o que são, ela ouvia os gemidos, ela via o orgasmo na cara de cada ser humano, ela os via, não havia capa, não havia roupa, naquele momento ela conheceu a raça, a espécie homo sapiens sapiens! Ela se surpreendeu, ela não esperava, tudo é armação, tudo é ilusão, não vemos aquilo que achamos lindo, ela estava enlouquecendo, quem é o responsável? quem armou? Ela queria acordar, mas ela não estava dormindo, eles não deixavam, o que está havendo? As pessoas se enloquecem com a verdade, EU enlouqueci! No dia seguinte, tudo voltou ao ''normal'', olhei para todos, e todos ''esqueceram'' o que aconteceu no dia anterior. As pessoas voltaram para suas casas, e vestiram a roupa. Mas nenhum perfume disfarçará o que eu vi, e o que farei de tudo para jamais esquecer.


         Fiz esse conto baseado na obra de José Saramago, a fim de mostrar a vocês a experiência espetacular que tive ao ler esse livro. A história acima contém a mesma ideia do livro, contudo fiz questão de relatar de forma diferente, e com minhas palavras. Tirei do livro grandes ensinamentos, espero que a partir dessas palavras, vocês possam aprender o quanto aprendi.

SABRINA.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

FUTURO DO PRETÉRITO

          A juventude apresenta dois problemas: a velhice e a acomodação. Quando nascemos o primeiro desejo que temos é colocar tudo o que vemos na boca, sentimos prazer em sentir cada material passando pelos futuros dentinhos, somos bonecos prestes a moldagem. O próximo passo é a caminhada, o dom de segurar o ''xixi e o cocô'', abolindo assim as fraldas de enchimento, e criando o princípio de liberdade. É nessa fase que se inicia o espírito questionador, onde perguntamos os ''por quês'' da vida, estes são responsáveis por nossa primeira desilusão, manifestada por choros (as chamadas birras), e pela ''violência''. Após a alfabetização o mundo passa a ter um pouco de sentido, passamos, então, a aceitar os fatos que antes reivindicávamos, nos tornamos crianças e, como todas, o único desejo não é brigar, chorar, e sim brincar e correr. Levamos um bom tempo com esse espírito de infância, porém ao chegarmos no final do ensino fundamental e começo do ensino médio temos outros ''porquês'' em relação a vida, a juventude nos transforma em leões, queremos brigar, queremos saber, queremos ter razão e acima de tudo, não queremos ser confrontados, temos orgulho da nossa indignação para com o mundo!
         Nessa fase queremos gritar, chamar atenção, queremos mudança, gostamos da ideia de promover uma revolução, e sabemos que se juntarmos nossas forças seremos imbatíveis. Em casa não concordamos mais com nossos pais, não somos fantoches, crescemos, queremos ter autonomia, opinar, mandar. A política não nos agrada, somos contra, chamamos de alienados todos aqueles que pararam de lutar, desejamos um país justo e limpo, somos inconformados por isso odiados e temidos. Tiveram que achar um meio de nos parar, estávamos dominando o mundo, só não pensávamos que o mundo não queria ser dominado.
          A rebeldia mora em nós até a faculdade, depois de tanto brigar percebemos que não conseguimos mais mudar, cansamos de perder, cansamos de gritar, começamos então a aceitar, a ter planos para uma vida melhor, nossa meta passa a ser: ter um bom trabalho, e ganhar dinheiro, coisas estas que são mais fáceis e estão mais perto, decidimos então seguir o padrão, nos tornamos normais, estamos envelhecendo, estamos cedendo.
          Quando ganhamos dinheiro e encontramos a pessoa ''certa'' nosso pensamento é o casamento, nosso sonho passa a ser duplo, queremos ter uma vida feliz, realizada e filhos. Viramos capitalistas, não discutimos mais política, e corrupção passa a ser normal, ''todo país tem''. As mudanças agora são materiais, o próximo carro, o guarda-roupa, o celular, enfim...Mudanças essas, um dia, consideradas fúteis, 30 anos, estamos com 30 anos.
          Estamos cada vez mais rotineiros, acompanhamos o jornal nacional, nos indignamos com a violência, assistimos fantástico nos domingos livres, passamos a assistir a propaganda política, nos vinculamos com um lado da sociedade, e vivemos pensando no futuro, o passado passa a ser considerado um erro comum e passageiro, o presente nem importa, os dias são iguais, os 40 anos estão chegando.
          Em relação aos filhos queremos sempre o melhor, a melhor educação, alimentação, queremos criar bons advogados, ótimos médicos, e bem-sucedidos engenheiros. Temos medo da revolta dessa geração, e é nosso dever mostrá-la que um dia fomos assim,  e que se nós não conseguimos mudar é porque realmente certas coisas não mudam, passamos a alienar nossas crianças, passamos a ter receio por elas, somos pais queremos protegê-las e privá-las, é por isso que as gerações jovens estão cada vez menos ativas, tudo faz parte de um ciclo desencorajador.
          Estamos com 60, a saúde anda fraca, temos que ir ao médico de seis em seis meses, agora nossa maior luta é contra a morte, observamos nossos filhos seguindo nossos passos, no caminho certo, que alegria, os netos já vivos enchendo a casa com sorrisos, estamos felizes, ou melhor, bem.
          Chegou a hora dos arrependimentos, com 70, perdemos a graça de muitas coisas, passamos a ver mais uma vez os erros da humanidade, passamos a questionar a alienação dos nossos netos, com fones de ouvido, entretidos por horas com televisão e computador, saindo para a balada, deixando os estudos de lado, jovens estes conformados e iludidos.
          Estamos fracos, não conseguimos mais lutar, que decepção, olha o que viramos? Somos uma fábrica de robôs? Há esperança, vamos lutar, vamos agir, vamos ac or d a r, e com 82 anos deixamos esse mundo, com a tristeza no olhar de quem tentou, desistiu e desencorajou. Viramos o ''futuro do pretérito'' PODERIA ter feito um mundo melhor, mas não fiz, você fez?


Sabrina

sábado, 8 de janeiro de 2011

QUE PAÍS É ESSE?

          Alguém já parou pra pensar o quanto o mundo é enrolado, ou se faz assim? Demoramos para sair de casa, demoramos nos lugares, chegamos atrasados nos encontros, andamos na cidade à 40 km/h, demoramos para caminhar, e para ter vontade então? o ônibus demora, arrumar, comer não, é a coisa mais rápida que fazemos. Os salários se não diminuem, demoram meses para cair na conta, depois temos que ficar escutando governador culpando ciclano, que culpa fulano, que país é esse? É a fraude do Brasil?
          E pra piorar garotão, somos preguiçosos, o máximo que conseguimos fazer é dar uns gritos, e depois sem nenhum resultado benéfico, desistimos, isso mesmo, nos contentamos com a falha, isso com certeza é a vitória dos nossos políticos justos, que se veem no direito de roubar mais, atrasar mais, e ganhar mais! Que incoerência, não?
          Após uma pausa de reflexão, me dei conta que o nosso país é uma nação contrária, sempre foi, enquanto estavam todos se desenvolvendo, aderindo ao iluminismo, o Brasil estava em seu governo Oligárquico, apoindo desde sempre a classe rica do nosso povo, é por isso que a burguesia é a favor de um partido, e o povão de outro.
         Ontem mesmo me cedi a mídia, quando ligo no horário do almoço, me deparo com o governador Marconi Perillo, que ânsia, e ele enrolou, enrolou, (como de costume), e no final, não falou nada, NADA, apenas abobrinhas, daquelas vindas de políticos ''não faz nada, rouba tudo'', se desculpou pela demora dos salários medianos dos funcionários honestos, e culpou a quadrilha que governou no mandato passado, quadrilha esta que um dia ele participou e apoiou, pra piorar, nosso ilustre Político não sabe se as bolsas de estudo vão continuar, pois dizendo ele as verbas estão curtas.
          Porém, ele acalmou os universitários dizendo que ajudará os mais carentes, que dó não? Como se isso fosse um favor, e não uma obrigação. Enquanto isso ele vive a glória de sua vitória, enganando e ficando cada vez mais rico, juntamente com sua classe suja, essa burguesia egoísta.
          Para finalizar deixarei aqui um pensamento solto: Por que contrariamos o certo? Por que somos indecisos? Por que somos fracos? E por último: Vale a pena desistir?

Sabrina