segunda-feira, 6 de maio de 2013

Vizinhos.


O encontro não é certo,
É preciso desencontrar,
Mesmo quando se está perto,
Os dedos deixam escapar,

O ar que corre aqui vem de lá,
E ela está tão longe,
Imaginando é possível velejar,
Até para o lugar mais distante,

Quem quis assim hoje não quer,
E não é impedido de querer,
Vontade própria, força no pé,
De dentro, o que precisar ser,

Tão homem, tão mutante,
Como nas velhas escrituras,
Olhos sombrios, velhos amantes,
Presos na mesma casa escura,


João paulo.


terça-feira, 2 de abril de 2013

.ema


ame,
mesmo que não o amem,
ame,
mesmo que algo bem estranho,
ame,
mesmo que por um instante,
ame,
e nunca deixe seu amor distante,
ame,
ame mesmo por amar,








João Paulo.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Soneto.



Esses são tempos difíceis,
Se bem que não lembro de outros,
Estivemos aqui o tempo todo,
Carne e osso, pescoço,

Talvez seja por isso,
E por isso talvez,
Sempre aqui, vez por vez,
Algo novo há de surgir,

Minha mente estava aqui,
Meu corpo não sabe,
E ninguém sabe na verdade,

Não há tempo para mentir,
Eu sei, você sabe,
Vamos antes que isso acabe,








João Paulo.


quarta-feira, 20 de março de 2013

O trago.


Somente quando se passa pelo mesmo caminho milhares de vezes, é que se vê quantas pernas ele pode ter. Minha mãe ainda faz café com biscoito, e eu permaneceria naquele quarto, se não fosse aquele dia. Detalhes e detalhes, tudo depende do real tamanho, as vezes o olhos enganam, e triste mesmo é se sentir enganado por algo que é tão seu.
-Você tem um cigarro? Me da um cigarro, por favor, preciso entender o que ta acontecendo. Um cigarro por favor.
Agora ta tudo claro, agora sim tudo faz sentido, finalmente eu encontrei o caminho da luz no meio de tanta escuridão.
-Hm? Um cigarro, você tem um cigarro?Por favor.
Cadê a saída desse lugar? Abafado demais, barulho demais, gente demais, meu deus, será que é isso mesmo? –Não, hoje não, obrigado amigo.
Essa rua vai pra qual endereço? Bom, não importa muito, vou pegá-la de uma forma ou de outra, e ir parar no mesmo lugar de sempre. Mesmos lugares, mesmas perguntas, não precisam de tanto, ainda me lembro de algumas coisas simples, e o melhor, boas. Acho que não tenho tantas respostas, e é pergunta que não acaba mais, perguntam até pra ter certeza de algo que já lhe perguntaram, ás vezes cansa. Cansa, e pra evitar o cansaço, é melhor encurtar os fatos, e deixá-los entendíveis, a complexidade é algo realmente ruim de se transmitir, e unir tudo em um ponto é complicado, irracional.
-Um cigarro amigo, um cigarro, preciso pensar.


João paulo.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Só.

querida, as coisas não tão assim, 
hoje é o agora, e mais tarde a gente não sabe,
a gente pode mesmo estar aqui, ou na lua, onde você queira ir,  
marte não é tão longe, quando a gente imagina, 
imagine e só,  

e agora somos só nos dois,
todo resto a gente deixa,
vamos lá fora, só olhar mesmo pro céu,
aquela nossa estrela, 
e umas flores e papel,

nunca foi tão bom ver o tempo passar assim de pressa,
seus lábios são bons mais, e a cada beijo fico bobo,
hoje o dia não foi como a gente queria mais tudo bem,
posso chegar ao final de tudo, e ainda ter você,
imagine e só, 




João paulo.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Faz frio.

 É nesses dias, meia nos pés, leite quente. Até me lembro do que falávamos aquela noite, inverno, ar frio, coração quente. Criança não tem mesmo medo de errar, olhos tão fixos, pareciam rochas imóveis, vapor tão quente como vulcão, o que importa, é o que está no ar. Éramos jovens demais, mais quem se importa? Ignorância daquele que aprisiona o sentimento a dogmas e regras tolas, não vê a pureza, tão pouco a percebe, cego de sentidos, cego por ser cego.
Maçãs verdes também caem do pé, e não há pele que não fique a flor ao toque daquilo que é o seu destino, era o paraíso e o abismo, tão próximos quanto o céu e a terra.
Nunca pensei que fosse ser assim, posso jurar que não. As vezes acredito em outras vidas, algumas coisas não tem explicação, tão pouco razão concreta de si, é estranho demais. Como pode ser tão novo e tão velho? Queria mesmo ouvir, mesmo que das estrelas, mesmo que daquela que só brilha quando estamos embaixo dela. Queria mesmo ouvir.
Você diz sempre que está bem, e vendo bem, eu sempre digo o mesmo, as vezes minto, mais acho que você também. Não acho que seja pecado. Pecado mesmo é ser alvo de o próprio ser, gatilho na própria testa, isso sim é pecado. Pecado é a ordem dos planetas, alterando cada dia, para que um outro aconteça, pecado é o tempo, e o tempo pecou demais, errou demais. Como pode um pai não ser gentil com o próprio filho? Isso sim é pecado.
Agora é o antes, e sempre soubemos disso, mesmo que sem saber, eu sei. Sem pressa, sem amarra, sem medo, sem dor, tão pouco pudor. Não é uma questão de jogar para o alto, nem de voltar ao primeiro ponto, nunca foi. É questão de ser livre, e isso sempre fomos, sempre vamos ser.


João Paulo.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Amanhã, talvez.

Sempre que imaginei meu futuro via um X. Exatamente isso. Uma incógnita. Poderia ser bailarina, para agradar minha tia, poderia ser médica para agradar minha avó, ou advogada para puxar meu avô! Poderia ser n coisas para agradar n pessoas. Poderia me conformar com esse século XXI e ser mais um ser humano acomodado e blá blá blá. Seria até mais fácil, bem mais. Só que as vezes viver no 'poderia' ou no 'agradar' cansa. É como esperar uma felicidade que nunca vem. Amanhã, talvez. Imaginem quantos sonhos são camuflados, quantos sonhos insistem em se manifestarem e só recebem NÃO. Amanhã, talvez. O que há é uma briga pela sobrevivência. Uma luta pelo espaço. Essa luta exige tanta força que no fim do dia o sonho fica pra depois. Allan vive na rua, a rua é seu abrigo, sua casa, a droga é seu conforto assim como o banco da praça. O futuro do Allan a Deus partence, no entanto ele não pensa em ser ''Y'' para agradar sua família! Que família? Ele acredita em um mundo melhor, mas não acredita que seja esse mundo, nessa vida. Emerson é um catador de lixo, também mora na rua, a mesma casa de Allan, o dinheiro que ganha compra crack e comida, ele não rouba é uma trabalhador. Seu maior sonho é sair da rua. E o meu? Sair de casa? Que egoísmo! Preparamos tanto um futuro dentro de casa que esquecemos quem está de fora. Não são bandidos, drogados, como uma vida confortável faz pensar. São pessoas que no final do dia deixam o sonho para depois. Olhar para fora não faz mal, endender que o mundo não é perfeito é o primeiro passo para uma vida real. Sendo assim não me importa um futuro pré-feito. Sei que não se pode salvar o mundo do dia pra noite, mas uma noite se pode salvar.